Que sombra é a sombra que vejo
Contornando a luz dos meus desejos?
Qual densa noite se expandindo
Na profusão dos meus anseios.
Como quando ela me chega,
E bem baixinho, vai me dizendo...
Que mulher, e que segredo!
Tal raridade feita de nuvens.
Respiro o dia e filtro o vento
Para, de noite, tê-la mais dentro.
Como quando ela me ataca,
E bem mansinho, vai me despindo...
Doce meu que do seu corpo
Vai envolvendo a minha boca
Recheando os póros de minha alma,
Faz do meu tempo, só madrugada.
Como quando ela se encaixa
E bem gostoso, vai me gozando...
O dia vai dormindo a noite nos meus sonhos
e sonho o grande espanto que me revela seu ser.
Esfinge espiralada, quão alto é o teu vôo?
Coruja da madrugada, transbordas minhas palavras
De encanto e nudez.
Teu galho é minha morada, espreita meu ventre em ti.
Oh, luz da minha estrela, teu corpo a mim sorri.
Que sombra é a sombra que quero
Berçando o meu nascimento?
Sabendo em mim o fruto
Maduro do meu desejo.
Como quando ela me dorme,
E bem mansinho, vai me engendrando.
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