Quinta-feira

Transmudado

Em memória de Carlos Drummond de Andrade


Queima um fogo eterno dentro de mim,
No estômago, nos pulmões, no coração...

“é a alma, é a alma”, dizem os cristãos.

Ele me consome, me revira, me excita,
Põe-me angustiado feito o diabo!

“eita, alma boa!”, dizem os cristãos.

É pungente, essa luta me suspende
Sobre os jardins do fogo,
Sobre os negros pastos para os humanos rirem.
Vou revendo e revendo meu destino.

Sobre mim, meu deus,
O imediato pavor de me ver
Tão distantemente desta paixão me consome.

Sob meus pés, meu amor,
Eis meus pés, quentes como brasa quente.
Perco-me e os quero...

O que faço para comê-los?

1 comentários:

Blog da Branquinha disse...

oi querido!
vc me toca tb com seus escritos.
amém!
que Deus, ou como vc o chame, te conceda a sabedoria e a graça para se liberar de suas amarras e liberar a garganta de quem precisa liberar!
amém, amém!
com carinho,
aninha