Quarta-feira

Espelhos

Esta angústia em mim,
Recorrente mistério; enigma.
É inconsciência em desespero,
Ignorância exagerada.

Não somos mais o sal da terra,
Somos os sem sabores, os sem saberes,
Figuras semi-nuas, silhuetas ancoradas
Numa perene falta de luz.

Ah, minha clareza,
Quer a minha coragem ousadia ou diversão?
As ruas estão cheias de fantasmas submissos,
Seria mais um?

A que assombração poderosíssima nos reportamos?
Todos correm e percorrem, inertes,
Caminhos sem fim para fins sem caminho.

Quanto de pureza ainda se revelará?
Quanto de afeto?
Os meses são rápidos em seus golpes, mas vulneráveis.

Vamos aquiescendo aos desatinos de um tempo sem virtudes.

Esta angústia é minha força
E resistência.
Diz-nos que o amor ainda prevalece,
Que a entrega à teia detestável do egoísmo não é,
Que a humanidade, em dor representada,
É a mesma humanidade, no amor, reinventada.

2 comentários:

sueli aduan disse...

belo poema, gostei muito, palavras densas ditas(escritas)mas eu quase as escuto tão suave. paradoxo.

Cidinha dos Anjos Carvalho disse...

É tarefa da Filosofia refletir sobre os caminhos sem fim.

A razão humana não se exaure na conjugação do verbo conhecer. Ela exige também a conjugação do verbo significar em todas as pessoas, tempos e modos.

A pergunta é: como fazer isso em um mundo que deu assentimento aos desatinos de um tempo sem virtudes.

Maravilhoso!

Beijos

Cida