Em memória de Carlos Drummond de Andrade
Queima um fogo eterno dentro de mim,
No estômago, nos pulmões, no coração...
“é a alma, é a alma”, dizem os cristãos.
Ele me consome, me revira, me excita,
Põe-me angustiado feito o diabo!
“eita, alma boa!”, dizem os cristãos.
É pungente, essa luta me suspende
Sobre os jardins do fogo,
Sobre os negros pastos para os humanos rirem.
Vou revendo e revendo meu destino.
Sobre mim, meu deus,
O imediato pavor de me ver
Tão distantemente desta paixão me consome.
Sob meus pés, meu amor,
Eis meus pés, quentes como brasa quente.
Perco-me e os quero...
O que faço para comê-los?
