Sentado na cadeira de espera, após ter esperado quase sempre, ofereceram-me água, que recusei - sabe-me lá de onde a tinham conseguido? Em tempos de cólera, o bom é não facilitar a morte. Mas, passados uns outros minutos, como me apertasse a sede dos desesperados, virei-me para a direita a perguntar:
Dá-me um pouco da tua água?
Não, respondeu-me a mulher que ali estava.
Dá-me um pouco de tua água que vou a morrer de sede!
Não, mais uma vez, não! Que me importa que morras?
Dá-me, então, um pouco de tua vida?
Quê?
Então a beijei, secando-lhe o sangue que, melhor que água, restituiu-me da morte anunciada.
